terça-feira, 24 de maio de 2011

Atos e Consequências



                                            ?



Tá, eu sei muitas coisas. Função exponencial - e sua inversa -, sistema digestório em detalhes, história do mundo antigo em detalhes, química orgânica em - muitos - detalhes, física clássica, física moderna... Sei coisas que são usadas em teses de doutorado de química e física. Tenho vasto conhecimento em astronomia. Astrofísica.



E agora me pergunto: E DAÍ?

Me tornei uma pessoa melhor? Não. Logo, do que me vale saber mais que a imensa maioria da população?

Me fechei para os sentimentos; construí uma espécie de barragem no hemisfério direito do meu cérebro, e o ignorei. Tudo o que acontecia de ruim, jogava lá, esperando que a capacidade de armazenamento dessa barragem fosse grande o suficiente pra uma vida. Mas não era.
Por causa dessa maldita mania de ignorar tudo o que não é lógico, me tornei uma pessoa ruim. Fria, pessimista, irrascível, ranzinza. Sou pior que um velho caquético. Com isso, perdi várias coisas: alguns grandes amigos, quase toda a habilidade de socialização - acreditem, ela já exitiu! - ... Mas não foi só isso.
Me acostumei a essa barreira, logo nunca precisei controlar de fato minhas emoções. E acabei por perder o controle sobre elas. Acabei por descobrir, empiricamente, que essa barreira falha, que não é possível viver sem externar sentimentos... E que, quando essa barreira falha, sempre acabo por abrir mais uma ferida na minha alma - e pior, na de quem está perto também.


Por isso, tenho medo do meu futuro. Infelizmente, me vejo como um de nossos professores de matemática: cansado, ranzinza, sem família, achando que é melhor que os outros e se ferrando por causa disso.


Diante disso, concluo: o equilíbrio entre QI e QE é, sim, essencial. Não o tenha e você ( com a licença do profº Saulo) ferrar-se-á.

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