terça-feira, 14 de maio de 2013

Traduzir ou não?

Na vida, há vários modos, distintos porém interessantes, de se traduzir - ou ao menos tentar - o que se está sentindo.
Há as palavras. Modo "tradicional", mas nunca fora de moda. Com elas, pode-se dizer, num código internacionalmente válido, o que se sente. Mas existe um problema, claro. Ao transformar um sentimento numa mera palavra, perde-se a essência do que se sente. É como se o sentimento tivesse de ser reduzido para "caber" no significado que tal termo abrange.
Há a pintura. Não tão "tradicional", e por vezes controverso, esse veículo de transmissão é talvez o mais antigo já usado pelo homem. Eficiente, na medida em que é muito mais abrangente que uma simples definição de palavra. No entanto, não é internacionalmente válido. Nem todos compreendem o que quis ser dito através daquelas pinceladas na tela - ou afresco, ou _____ (insira uma base de pintura aqui).
Há a música. Minha preferida, talvez. Por ser mais "solta" e ser livre para ser virtualmente o que quiser, ela é, provavelmente, o modo em que mais se pode trazer, diretamente do fundo da alma, o que se sente. Um toque mais forte, uma melodia mais triste, um prolongamento em certo trecho da pauta... Mas ela também não é perfeita. Não é acessível a todos - é um meio caro, por vezes.

Tudo é válido. Mas nem tudo é válido. Uma poesia pode ser linda perfeita maravilhosa tocante, mas será reduzida em relação ao original. Uma pintura pode ser linda perfeita maravilhosa tocante, mas nem todos a compreenderão. Uma música pode ser linda perfeita maravilhosa tocante, mas nem todos terão acesso a ela.

No fim... Acaba que é melhor ficar quieto. Guardar o lápis, o pincel, o arco. Tampar a caneta, fechar as tintas, trancar o violino.
Guardar o sentimento para si. Ou demonstrá-lo diretamente - nada, nada supera isso.

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